CULPA E INSEGURANÇA NA NOSSA VIDA
" Se pensarmos do ponto de vista social, a culpa é uma contra resposta a toda ambição imposta pela sociedade, devendo à pessoa se contentar em viver numa eterna carência de sensações e psicologicamente. Obviamente num mundo onde quase tudo é competir, alguém teria de carregar o fardo da perda ou exclusão da satisfação pessoal;principalmente se o que está em jogo é sentir-se bem em todos os aspectos." ANTONIO CARLOS- PSICÓLOGO.
"Se refletirmos historicamente, no passado o prazer era uma fonte proibida de se tocar; já em nossos tempos podemos experimentar de tudo, mas parece que a proibição ainda permanece, seja no vazio de nossa vida diária, ou o tédio a que somos constantemente submetidos. "ANTONIO CARLOS- PSICÓLOGO".
O objetivo deste estudo não é a análise da culpa ética, que sem dúvida é fundamental para que o ser humano refreie determinados instintos sádicos ou destrutivos; mas pretendo enfocar a culpa do ponto de vista psicológico, como uma barreira que afeta o prazer e o livre fluir de determinadas emoções. Todo ser humano depois de determinada experiência de euforia, já se deparou com uma certa depressão ou desânimo após tal fato, minimizando o prazer do ocorrido. Esta é uma das raízes da culpa, que estabelece que o indivíduo quase nunca é um merecedor de algo extremamente positivo. A culpa se torna então uma espécie de fuga da angústia, contendo todos os desejos pessoais do indivíduo.
Em um curto espaço de tempo, a pessoa descobrirá ser quase que totalmente incompetente para o prazer, sendo que além do sofrimento resultante de tal condição, existe a vergonha e repulsa de si próprio, por saber que sua condição é extremamente visível ao olhar alheio. O culpado teme constantemente fazer mal ao outro, o que lhe confere um sentimento corriqueiro de exagerada incapacidade pessoal. O temor de recomeçar ou mudar é imenso nesta estrutura de personalidade.
Talvez o maior legado cristão imposto ao psiquismo humano é o desafio de quem realmente é inocente, impedindo inclusive que a pessoa não abandone suas experiências de sofrimento; e quanto maior o mesmo, maior será o senso do dever em detrimento da satisfação pessoal. A culpa é uma espécie de obsessão pela procura da inocência citada, sendo que um dia a pessoa irá descobrir que o possuidor da mesma é aquele que se recusou a viver. A história da psicologia nos mostrou que a capacidade para o prazer é algo que nos é delegado, seja por um ambiente familiar amoroso e compreensivo, ou algo que apenas obteremos pela luta ou conquista, externamente ou lidando com nossos medos internos.
Se pensarmos do ponto de vista social, a culpa é uma contra resposta a toda ambição imposta pela sociedade, devendo à pessoa se contentar em viver numa eterna carência de sensações e psicologicamente. Obviamente num mundo onde quase tudo é competir, alguém teria de carregar o fardo da perda ou exclusão da satisfação pessoal;principalmente se o que está em jogo é sentir-se bem em todos os aspectos. É interessante observar como a culpa está relacionada ao segredo, pois uma das características básicas da pessoa temerária é exatamente nunca dividir o que sente, pois sua baixa estima não permite a confiança de que alguém acharia algo de interessante em sua alma. Sofrer é como uma espécie de trabalho rotineiro, sendo que apenas na fantasia ou em raríssimas ocasiões é permitida a ousadia do prazer. Se almejarmos ir realmente a fundo, logo concluiremos de que a experiência da satisfação ou amor pleno passa necessariamente pela erradicação absoluta da célula de sofrimento cultivada pela pessoa. A depressão tão marcante em nossa era é prova absoluta de tal conceito; sendo uma resistência feroz ao princípio da satisfação. A tarefa da culpa é amar e depender do pior, construindo um mecanismo pessoal e secreto de insatisfação diária, como uma espécie de desafio constante para uma personalidade ambivalente e receosa de tocar aquilo que está tão próximo; viver plenamente. O segredo e mistério da dor passam a adquirir um significado quase místico, de expiação por algo que sequer se compreende profundamente.
A conseqüência máxima para a personalidade culposa é a de que a mesma não possui a menor noção de seus "direitos" afetivos, pessoais e sociais. Sua vida é uma tortuosa espera da autorização do outro para minimizar sua angústia. Embora pareça o contrário, a raiz da culpa visa evitar a dor no sentido profundo, pois o suposto sofrimento que a contenção coloca é uma espécie de anteparo a uma posterior sensação de catástrofe pessoal; o ser culpado em síntese teme o erro como uma espécie de reprovação completa de sua existência; sendo assim, a culpa é um mecanismo de defesa para afastar a dor citada, que sempre tem a ver com uma auto imagem atrofiada em quase todos os sentidos. A psicoterapia passa a ser fundamental no intuito de fazer com que a pessoa sinta e experimente seus temores mais secretos, pois o material que transformará determinada pessoa, será recolhido nos mais recônditos e angustiantes sítios da personalidade.
Talvez uma das coisas mais impressionantes por detrás do sentimento de culpa é o imenso potencial observado de determinado indivíduo, ao contrário da personalidade tímida que se recusa peremptoriamente a doar qualquer coisa. A culpa talvez seja o sentimento que mais ressalta um dos maiores valores históricos e filosóficos cultivados pela raça humana: liberdade; no verdadeiro sentido da palavra, que infelizmente para a personalidade culposa depende sempre da autorização do outro como disse anteriormente. O quanto se carrega de culpa, mágoa ou ódio é o que definirá o tipo de personalidade: submissa, rebelde , introvertida ou extrovertida.
Não apenas na etapa da adolescência, mas em outras ocasiões, todos admiram determinada pessoa ou ídolo que representa uma vida mais ativa ou cheia de emoção, que desejaríamos para nós mesmos. O culpado segue a idolatria do modo inverso, imitando ou copiando justamente aquele tipo de pessoa que se retirou da responsabilidade da intensidade do viver em todas as esferas. Determinadas escolas no transcorrer da história da psicologia falharam intensamente perante a psicologia social, pois se o ser humano nunca conseguiu eliminar as desigualdades econômicas e sociais; seria fácil transportar este conceito para a esfera psíquica, e o resultado seria a total desigualdade emocional; como alguém espera receber autorização para algo, quando o outro que detém o poder teme justamente que o mesmo o supere? A imposição da culpa, ou um roteiro pré-determinada de vida é a garantia do establishment da situação de luta de classes dentro do âmbito familiar; assim como no ciclo macroeconômico, e o culpado se resigna perante seu destino, dando inclusive mais do que o solicitado.
A religião adulterou todo o potencial de mudança e solidariedade do ser humano, que poderia ser medido na práxis diária para um conceito de "inferno"; que em síntese, é a sensação dolorosa de não termos cumprido nossa tarefa em relação ao potencial de ajuda que necessitamos disponibilizar; a síntese da maldade é a perda de tempo ou negligência perante a grandeza da criatividade.
O leitor já deve ter notado que a personalidade culposa necessita eternamente do poder sobre sua pessoa, sendo a obediência sua garantia para não ser exposta perante a opinião alheia; uma espécie de dependência perante o limítrofe; o zelo pelo cuidado excessivo, ou em síntese, a reverência perante o que lhe faz mal. Todos os fatos apresentados remontam a falta histórica de incentivo, quando falamos de alguém preso em demasia pelo sentimento de culpa; inclusive no tocante a imagem corporal, pois a escassez é o lema básico desta estrutura de personalidade. Talvez a parte mais nefasta da culpa é quando esta nos liga a determinada pessoa, sendo que se sabe que o amor já não existe há muito tempo, restando apenas o sentimento de dívida. Neste ponto o caráter de determinada pessoa passa por uma transformação, sendo que a hipocrisia reina soberana em sua vida, acomodando-se no fator afetivo.
Se refletirmos historicamente, no passado o prazer era uma fonte proibida de se tocar; já em nossos tempos podemos experimentar de tudo, mas parece que a proibição ainda permanece, seja no vazio de nossa vida diária, ou o tédio a que somos constantemente submetidos. A culpa se insere neste contexto, principalmente como disse acima, quando devemos algo. A questão central que aponto é o fato de que em nenhuma outra era da história da humanidade, a probabilidade de sermos infelizes atingiu seu ápice como em nossos tempos; e paralelo a este processo, a necessidade da anestesia via drogas ou qualquer mecanismo de fuga também atingiu o pico. Nosso cotidiano é dominado essencialmente pelo medo: da pobreza, exclusão em todos os níveis, fraco desempenho, e principalmente comparação com outras pessoas. A inveja é nosso combustível diário numa sociedade monoteísta que a referência para qualquer coisa é o deus único do dinheiro e ambição. Todos estamos mais do que mergulhados neste processo, e tudo o mais é tratado com negligência. A própria dependência familiar que muitos carregam pela vida toda, não deixa de ser um seguro, ou um desejo de provedores eternos. Um dos sentimentos que mais se acentua é o desamparo perante nossa auto imagem.
A culpa se torna sob esta ótica uma espécie de solidariedade com a exclusão do íntimo e potencial pessoal. O modelo econômico de classes sociais se reproduz no lado psíquico, como disse acima, pois a culpa denuncia que a pessoa simplesmente está abaixo, no sentido psicológico. Esta mais do que na hora de tratarmos o inconsciente não como uma "caixa preta" original e única, mas sobretudo, o reflexo idiossincrático da estrutura e influência diária à que o indivíduo é submetido. O tempo é um deus para o culpado, achando que disporá do mesmo eternamente, quando na realidade é o inimigo básico da humanidade; acontece que o mecanismo da culpa está totalmente interligado a reprodução de um modelo pretérito familiar, sendo que em determinado momento da vida de uma pessoa, há uma espécie de disparo de algo automático que faz com que o indivíduo se obrigue a viver a mesma história ou conflitos de seus familiares. Tal compreensão é fundamental para a descoberta da gênese da culpa, pois se descobrirá que o poder do inconsciente não está a favor de uma mudança, mas tão somente da necessidade de copiar literalmente determinado modelo. A obrigação de ser igual é uma tarefa essencial da culpa.
O sentido da vida é construído diariamente; para o drogado é a compulsão diária pelo entorpecente; o ambicioso é a gana pelo dinheiro e poder; o culpado é o adiamento diário da arte de viver. Este conceito é uma espécie de divisor do caráter humano, pois enquanto boa parte das pessoas almejam a posse, o culpado sente que não pode usufruir inclusive de seu próprio espaço. Se transportarmos este valor para o campo sociológico, descobriremos que na história da humanidade sempre se preferiu de certo modo a ditadura cruel, até porque a atacar se torna mais fácil, do que um poder benevolente que causaria a culpa caso fosse destituído, embora seus efeitos nocivos e limitadores sejam os mesmos. O culpado necessita na terapia trabalhar a fundo a idéia de uma eterna barreira invisível, que o impede de alcançar o prazer, e além disto, descobrir como está vivendo numa espécie de lugar errado, pois a limitação cria um tipo de estranhamento psíquico, tolhendo por completo o campo de visão da pessoa. A função básica do tratamento psicoterápico não é apenas a mudança, mas a percepção de que uma determinada neurose cria uma "entidade" dentro da pessoa, sendo sua função básica a manutenção eterna de determinada problemática; assim como a concentração total nos eventos passados, causando constantemente uma paranóia. Esta suposta entidade passa a ser um tipo de guia turístico que leva o indivíduo ao mais profundo inferno da mente humana, fazendo com que jamais abra mão daquilo que realmente lhe traz dor e sofrimento. Outra função é a lembrança dolorosa e ininterrupta de que o agradável se extinguirá o mais breve possível; aliás, uma das formas do cultivo do prazer é o esquecimento de que o mesmo assim como tudo obrigatoriamente deve passar, pois o apego é nocivo para o recomeço de algo positivo e saudável.
Enfim, a reflexão básica seria a de quem está preparado para enfrentar seus medos? De que forma? Qual preço ousa pagar? Que quantidade de pressão tolera em seu psiquismo? Arrisca algo, ou é seguidor do mais reconfortante sentimento humano: o conformismo e sua conseqüente garantia de continuidade do conhecido, embora cause sofrimento, mas ainda possível de visualizar e digerir emocionalmente? Todos necessitamos refletir sobre nossas ações e vivências diárias, principalmente no tocante ao lado emocional; precisamos avaliar diariamente o impacto afetivo e social que causamos no outro, senão vamos incorrer em condutas rígidas ou autoritárias. O problema é o limite daquilo que podemos ou não, pois a culpa não pode preencher todos os espaços. Nossa era de insegurança e incerteza nos coloca este dilema: o quanto de nosso investimento pessoal nos trará reconhecimento de nosso valor, ou acarretará angústia ou depreciação de nossa imagem?
Qual figura externa ou internalizada ocupa o papel de inquisidor?
PARTE2: INSEGURANÇA ( A eterna espera pelo convite)
“Deixar com que a vida nos ensine, é contar com a mais pura experiência de desamparo e sofrimento, como dizia o psicólogo ALFRED ADLER*; pois quando algo externo decide por nós, é regra de que o mesmo não terá a mínima compaixão. O herói de nossa era é exatamente aquele ser inquieto, que realmente procura a legítima solução de seus problemas diários; ao contrário da imensa maioria que necessita encontrar mais miséria ao seu redor para se sentir reconfortado”-ALFRED ADLER PSICÓLOGO.
“A insegurança é a eterna obrigação de ser influenciado, seja por uma pessoa, ideologia, sedução, vício ou determinada compulsão ou obrigação. Isto remete a questão ética do poder, pois o mesmo só deveria ser usado para eliminar a amargura e sofrimento de outro ser humano, desenvolvendo seu potencial para a saúde e novas buscas; nunca para escravizar alguém numa imagem ou ilusão de algo que jamais a pessoa irá obter. Jamais deveríamos manipular o sonho ou esperança de outra pessoa, quando no fundo, não desejamos em hipótese alguma participar do mesmo".
-ANTONIO CARLOS PSICÓLOGO.
A primeira diferença básica que pretendo estabelecer é entre insegurança e medo: este último geralmente recai sobre um objeto ou acontecimento específico; já a insegurança se constitui num receio generalizado, que inunda por completo uma pessoa, geralmente na hora de tomada de alguma decisão ou julgamento. É bastante raro em nossos tempos encontrarmos alguém com posicionamentos firmes, não no sentido do fanatismo ou radicalização, pois estes são comuns, mas no sentido da ponderação e segurança de sua vontade. A ausência desta última, em boa parte de nossa cultura se deve ao temor da perda, pois todos aprenderam com o sofrimento de determinada pessoa legítima e sincera, que quase sempre a mesma acaba excluída de algo. Todos preferem contar com a força dos acontecimentos, renegando por completo sua área volitiva. Deixar com que a vida nos ensine, é contar com a mais pura experiência de desamparo e sofrimento, como dizia o psicólogo ALFRED ADLER*; pois quando algo externo decide por nós, é regra de que o mesmo não terá a mínima compaixão. O herói de nossa era é exatamente aquele ser inquieto, que realmente procura a legítima solução de seus problemas diários; ao contrário da imensa maioria que necessita encontrar mais miséria ao seu redor para se sentir reconfortado.
O que boa parte das pessoas não conseguem refletir é sobre que tipo de mundo está presente na maioria de seu íntimo, se é um mundo de dor, sofrimento, medo, ódio, prazer, diversão ou outra coisa. A compreensão do tipo de sentimento ou sensação que mais nos atormenta é o primeiro passo para tentar se libertar do mesmo. Como deveríamos enfrentar a insegurança? Usando a raiva e o ódio, criando uma compensação do medo, e se tornando uma pessoa agressiva, exatamente com o intuito de evitar que alguém se aproxime e lhe faça algum mal? Ou se tornando absolutamente resignado com sua condição de inferiorização pessoal e social? Obviamente não é fácil sairmos do dilema apontado, mas o fato é que a cada dia todos estão cada vez mais aterrorizados com a possibilidade da perda em todos os sentidos possíveis, atrofiando qualquer novo passo ou possibilidade criativa.
A insegurança é a fuga da avaliação diária a que todos somos submetidos; prova disso, é um tipo de sonho recorrente em vários pacientes: “de que estes voltaram ao segundo grau e necessitam prestar exames”. Sem dúvida, a crítica e medo da opinião alheia formam a base da insegurança. Se todos fôssemos treinados a dividir, o resultado seria o contrário, pois se estamos dando algo de nosso ser, seja afetiva ou intelectualmente, estaríamos mostrando nosso mais puro produto, e conseqüentemente reforçando nossa estima. Até este ponto, fica claro que todo ser humano cedo ou tarde terá de lidar com a questão da insegurança, em algum nível de sua vida diária.
A questão central é a maneira de como enfrentar tal desafio, tentando superar o problema. ALFRED ADLER, psicólogo contemporâneo de FREUD, estabeleceu uma teoria psíquica no decorrer de sua vida refletindo sobre o aspecto do ser mimado. Para o mesmo, a pessoa mimada não é apenas alguém que teve todas as regalias ou facilidades, mas, uma personalidade que insiste em deter o poder a qualquer custo; se utilizando da doença ou chantagem emocional para tal finalidade. ADLER, brilhantemente percebeu que a criança em suas primeiras experiências na vida poderia obter vantagem, através de uma doença ou comportamento patológico, forçando um cuidado extra de seus pais. Chamou este fenômeno de “ inferioridade de órgãos”; uma espécie de hábito orgânico de se utilizar de determinada deficiência, para obter vantagem social. O mimado é aquele ser que se habituou à utilizar determinado problema para eternamente ser o centro da atenção. E como este conceito ainda é atual, se refletirmos mais profundamente. A personalidade neurótica ou determinada doença coloca insistentemente os refletores sobre a pessoa, ganhando destaque em sua comunidade, mesmo que seja através de algo mórbido.
É importante estabelecer a distinção entre os dois tipos de pessoa mimada: o primeiro seria o mimado pela proteção: alguém que obteve não apenas determinados benefícios materiais, mas, foi poupado de qualquer experiência de frustração ou sofrimento intenso perante as demandas da vida. Podemos ver este tipo naquelas pessoas que mesmo atingindo a fase adulta, reclamam eterno cuidado,suas esposas ou maridos continuam sendo a extensão mais pura de seus pais, sendo que além de não dividirem seu íntimo, não conseguem também estabelecerem uma entrega afetiva profunda.
O segundo tipo pode ser definido como o mimado pelo poder: desde as mais remotas experiências infantis, tal personalidade foi investida de uma importância quase que sobrenatural, participando de decisões como se fosse um adulto, sentindo que sua presença era a única condição para a felicidade ou ruína de seu meio familiar. Quando adultas, estas pessoas tem uma orientação para as drogas e comportamento sociopático, pois seu vício é a eterna manipulação e controle do meio em que vivem, e caso não adotem um comportamento anti-social, se recusam terminantemente a qualquer troca que favoreça ao crescimento e ajuda perante seus familiares, se tornando tímidos, no intuito de apenas obter vantagens perante o meio, nunca sendo autênticos com seus sentimentos ou atitudes, o que é característica da timidez; dissimulando por completo todo o seu comportamento perante o outro.
Estas observações são fundamentais para entendermos a insegurança, pois a questão do mimo é fundamental nesta problemática. Alguém que jamais usou de seus recursos próprios para obter reconhecimento ou troca genuína, está eternamente condenado a insegurança .
Se historicamente todos fôssemos preparados ou avisados de que é a vida é uma eterna caça ou competição, nossos problemas seriam menores. Quase nunca nos conscientizamos de que nosso lado afetivo também está completamente contaminado pelo poder e disputa social que vivenciamos diariamente. A própria sedução, não deixa de ser um extremo poder que conferimos ao outro, nos escravizando numa suposta imagem de amor, que sabemos que mais cedo ou tarde nos causará extrema angústia. Ao se retirar a sedução, que está intimamente relacionada ao poder, é que poderemos ver a verdadeira face da pessoa, pois devemos observar a verdadeira beleza do outro, e não o poder estético que isto nos causa. Estar apaixonado é também uma das maiores fontes de insegurança em nossos tempos, pois sabemos que estamos plenamente submissos ao afeto e atenção do outro. Aprofundando o raciocínio citado, a insegurança é a eterna obrigação de ser influenciado, seja por uma pessoa, ideologia, sedução, vício ou determinada compulsão ou obrigação. Isto remete a questão ética do poder, pois o mesmo só deveria ser usado para eliminar a amargura e sofrimento de outro ser humano, desenvolvendo seu potencial para a saúde e novas buscas; nunca para escravizar alguém numa imagem ou ilusão de algo que jamais a pessoa irá obter.Jamais deveríamos manipular o sonho ou esperança de outra pessoa, quando no fundo, não desejamos em hipótese alguma participar do mesmo.
A raiz de toda a dor do processo citado é o medo da perda ou a dificuldade do recomeço. O conflito básico de nossos tempos, ao mesmo tempo contraditório, é o desafio de estar realmente satisfeito com alguém, mas paralelamente uma tendência de estar sozinho, visando a segurança, pois a solidão por mais cruel que seja, protege a pessoa de nova decepção. Como está difícil equacionar um anseio ou expectativa pessoal perante as demandas de outra pessoa; o quanto alguém realmente cede e renuncia a parte de seu egocentrismo em prol da felicidade do outro.
O filósofo grego PLATÃO, cunhou o tão conhecido mito da caverna, uma representação simbólica do aprisionamento da alma humana. Nesta parábola haviam pessoas acorrentadas numa caverna, apenas vendo as sombras de um mundo externo, e quando alguém finalmente se libertava, vendo o mundo real, e desejava compartilhar com outros desta experiência, era totalmente excluído e perseguido por seus semelhantes. A insegurança é em síntese um atestado desta condição; muitas pessoas optaram por viver na sombra de determinada proteção, por mais enclausurada que sejam suas vidas, não abrem mão do anteparo . Como diz determinado ditado inglês: “from womb to the tomb”,( do útero até a tumba); mesmo que a vida seja um espectro, o mais importante é estar protegido, criando uma realidade onde o medo é o eterno ser supremo. Abrir mão de todas as possibilidades criativas, muitas vezes é mais reconfortante para determinadas pessoas, ao invés de encararem o desafio de elas próprias criarem novas histórias.
Se recusar a aceitar nossa individualidade e dever de traçarmos com firmeza nosso caminho, é uma das mais sérias dificuldades psíquicas que recaem sobre determinado ser humano. A insegurança como sugeri no título, é uma eterna espera por um convite que jamais acontecerá.
O inseguro tem a crença internalizada de que não possui determinado talento ou habilidade para ser valorizado socialmente. Sua libertação é o percebimento de que a coisa mais importante não é o reconhecimento por parte de alguém, mas uma vontade plena em desejar aprender e estar totalmente disponível. Abrir mão dos sentimentos de inferiorização e conseqüente paranóia de ser dominado, colocam a pessoa numa espiral crescente e inesgotável de novas possibilidades. Como seríamos mais felizes de descartássemos a nostalgia e segurança ou insegurança das lembranças impregnadas de nossa infância. Esta, é sem dúvida uma das mais preciosas fontes psicológicas de evolução do ser humano; abrir mão da nostalgia e apego que só reforçam a autocomiseração, para prosseguir num caminho onde cada um tenha não apenas a certeza de seu potencial, mas o conhecimento interno de que encontrará sempre outros seres humanos que precisam realmente de seu conhecimento e sua experiência de vida.
"Temer qualquer contato ou
ajuda profissional, é viver numa espécie de culto ao sofrimento".
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